quinta-feira, julho 23

Ideias extraordinárias

"The idea is that there is an overall balance between the time-asymmetrical 'loss of information' in black holes and the time-asymmetrical behaviour of probabilities in the quantum-mechanical R process"

Roger Penrose

segunda-feira, julho 20

TV

Agora que as atenções se viram mais para a praia e menos para o pequeno ecrã, deixo aqui alguns apontamentos sobre a televisão em Portugal.

O domingo à noite continua a merecer todos os destaques. Na RTP2 o Câmara Clara, de Paula Moura Pinheiro, resiste ao passar do tempo. É um excelente programa que mistura conversas interessantes com inúmeras sugestões culturais. Claro que sou levado a fazer zapping pois sensivelmente no mesmo horário passa Os Contemporâneos. Penso que este é actualmente o melhor programa do género na televisão portuguesa (canal aberto). À mesma hora, na concorrência surgiu agora Herman José. O formato é mau e nem o Herman é capaz de transformar Nasci Pra Cantar num programa razoável.

Nestas noite de Verão o 5 pra Meia Noite, na RTP2, é uma boa aposta. Ligeiro, curto, descontraído. À mesma hora a nova temporada do CSI Las Vegas, na SIC, é uma excelente alternativa.

A SIC exibiu alguns (poucos) episódios de Toma Lá, Dá Cá aos fins-de-semana. Entretanto, não sei porque motivo, a série foi retirada da grelha de programação. Talvez não fosse tão boa como o Sai de Baixo, mas ainda assim gostava de ver.

Às segundas o Prós e Contras é a não perder.

A nível do desporto as televisões generalistas empobreceram muito nos últimos anos. Nesta altura do ano, sempre que o tempo mo permitia, costumava ser espectador da Volta a França, que agora é transmitida na RTPN. E poderia falar da Formula1 e de muitos outros desportos. Agora está tudo no cabo.

quarta-feira, julho 15

Sigo em directo os preparativos para o lançamento do Space Shuttle Endeavour na NasaTV. Faltam neste momento um pouco mais de 2 horas para o lançamento. Depois de sucessivos adiamentos devido às condições climatéricas ainda não é seguro que a nebulosidade que agora paira sobre o Kennedy Space Center se disipe a tempo do lançamento.

domingo, julho 12



Roger Penrose in The Road to Reality

I am no way suggesting that we should abandon the essential beautiful insights of electroweak theory, but I prefer a slightly different attitude to the breaking of its U(2) symmetry from that which is usually put forward. As I see it, Nature´s true scheme for particle physics has not yet come to light. Such scheme should be mathematically consistent and will not have the nasty habit that our present day QFT´s have, of spitting out the answer ‘∞’ to so many reasonable phrased physical questions.

segunda-feira, julho 6

Citações

Miguel Sousa Tavares no Expresso

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.

- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

quarta-feira, julho 1

(...) a arte é a missão suprema e a atitude essencialmente metafísica da vida humana.


Nietzsche

Lendo a blogosfera...

a propósito de Ponto Contra Ponto, o novo programa de Pacheco Pereira.

Bruno Sena Martins
Eduardo Pitta

segunda-feira, junho 22

Lendo...


por estes dias, Nietzsche, A Origem da Tragédia. Como da união entre os aparentemente apostos Apolo e Dionísos nasce a tragédia grega.

segunda-feira, junho 15

tgv e credibiliade na politica



A construção da linha de alta velocidade deve ser discutida. É discutivel a pertinência da sua construção no actual cenário de crise económica. O que torna esta discussão caricata é que caso o PSD ganhe as próximas legislativas o tgv será construido à mesma. Venham depois falar da credibilidade na política.

quarta-feira, junho 3

na RTV

Estive hoje no programa Contrastes da Regiões TV, um canal do cabo. Foi uma conversa agradável onde se falou de Eça de Queirós e de jovens autores. Entre os convidados estava Isabel Pires de Lima, ex-ministra da cultura. Apresentei, pois claro, o Dei-me à terra.
Na é fácil estar em directo, diante das camaras, com um microfone sedento de palavras. Mas a gente acaba por se habituar. E venham mais.

sexta-feira, maio 29

A apresentação do Dei-me à terra em Guimarães foi um sucesso. E para mim foi um experiência nova e enriquecedora. Venha agora a apresentação em Barcelos. É no próximo domingo, às 3 da tarde, na Biblioteca Municipal.

sábado, maio 23

Apresentação de Dei-me à terra



É já na próxima terça-feira, dia 26, a apresentação do livro Dei-me à terra. O evento decorrerá na Biblioteca Raul Brandão em Guimarães pelas 21.30.

quinta-feira, maio 7

sábado, maio 2

Novo podcast

Cá está o mais recente podcast. Desta vez recito-me a mim próprio.



(clique para ouvir)

quinta-feira, abril 30

Aproxima-se a data de publicação do meu primeiro livro de poemas, intitulado Dei-me à Terra. Publicar uma obra é sempre um orgulho.

segunda-feira, abril 27

Indagas a causa última das coisas,
o que está depois do fim do caminho.
Eu apenas caminho, caminho
sem certezas, nem verdades.
Da jornada não sei o fim,
tampouco o indago.
Se me detenho
é na paisagem
e não no fim da viagem.

Jorge Jardim

segunda-feira, abril 20

This path-dependence in the concept of “parallelism” is the essential new ingredient, and versions of it underlie all the successful modern theories of particles interactions, in addiction to Einstein´s general relativity.

Roger Penrose in The Road to Reality

quinta-feira, abril 16

Princípio activo

Omeprazol, domperidona,
clopramida, prednisolona,
ebastina, clonixina,
cetirizina, famotidina,
cloridrato de tramadol.
No fim, a morte
dos que amamos.

Ai, mas o que seria sem ciência?

Jorge Jardim

sábado, abril 11

Noite dentro

Continuo a descobrir os mistérios mais profundos da Natureza. O efeito de Aharonov-Bohm surpreendeu-me.

domingo, abril 5

Barcos aviões e foguetões
Tu crias engenhos e ilusões,
Tens a ciência e a técnica,
os modelos e a matemática.
Mas…o que podes tu,
agrilhoado ao teu destino
subjugado ao jogo do acaso?


Serás ser superior
quando souberes
que não és
mais do que o cão que vagueia vadio.

Jorge Jardim