sexta-feira, janeiro 4

Contraponto à Pós-Modernidade (v 1.2)



Filosofia de Vida
  1. Regressarás ao tempo lento. Dedicarás mais tempo à contemplação.

  2. Viverás em comunhão com a Natureza. Sem prejuízo da tua crença religiosa serás vagamente panteísta.

  3. A comunhão com a Natureza não deve impedir que procures compreendê-la. A atitude científica é fortemente motivada.

  4. Utilizarás a tecnologia sempre que isso facilite o cumprimento das tarefas quotidianas. A tecnologia será sempre mais um meio do que um fim em si mesma.

  5. Consumirás informação de modo parcimonioso. Na contemporaneidade em que o acesso à informação é virtualmente ilimitado deve interessar-te mais a qualidade do que a quantidade de informação. Recebe-a de modo crítico de forma a melhor compreenderes o mundo e melhor agires sobre ele. Torna-te um sábio.

  6. Não cederás ao consumo louco e desenfreado. Ama os objectos como bens escassos e únicos.

  7. Não alimentarás o mito do eternamente jovem e eternamente belo. Aceita a velhice e a morte.

terça-feira, dezembro 18

Lendo/vendo...


A "nova" Gazeta de Física está melhor. Desde logo a nível gráfico, mas, pelo que pude ler, também a nível de conteúdos. E agora está em linha. A nova equipa editorial está, portanto, de parabéns.

segunda-feira, dezembro 17

Lendo...

com muita atenção, por interesse profissional, acerca dos materiais superoleofóbicos no De Rerum Natura.

sexta-feira, dezembro 14

Este post é deslumbrante! Tão cheio de vida!

terça-feira, novembro 27

O Futuro

Já passaram alguns anos desde que li O choque das Civilizações de Samuel Huntington. Encontrei-o numa estante da biblioteca. Chamou-me à atenção. Não tinha ainda ocorrido o 11 de Setembro, o terrorismo não estava na ordem do dia e não era clara, pelo menos não tanto como agora, a tensão entre o Islão e o Ocidente.
Do livro guardo recordações vagas. A tese de que a nova ordem mundial, pós guerra fria, seria multipolar. Haveria 3 ou 4 grandes blocos que se temeriam e de alguma forma equilibrariam. Os grandes focos de conflito surgiriam entre esses blocos. O choque seria sobretudo cultural. Os EUA perderiam a hegemonia e a China cresceria de forma acentuada.
Nos tempos mais recentes, depois do 11 de Setembro, encontrei na comunicação social algumas referências à tese de Huntington. Uns consideram a tese exagerada outros realista, mas não deixa de ser sintomático o facto de esta ter sido trazida para a praça pública.
Neste momento estou a ler outro livro premonitório: Breve História do Futuro de Jacques Attali. A ele regressarei.
Afinal, como está o mundo?

quinta-feira, novembro 22

Concertos...

...alguns concertos nos últimos tempos, tudo no Centro Cultural Vila Flor. Sobre Seu Jorge já tudo foi dito no Recortes. Depois, houve o Guimarães Jazz. Assisti à Charles Tolliver Big Band e, melhor ainda, ao fantástico concerto de Ahmad Jamal e "companhia". Aqui fica Ahmad Jamal um pianista magistral.

sexta-feira, novembro 2

Lendo...


A Vida Nova do escritor turco Orhan Pamuk. Aqui regressarei em breve.

terça-feira, outubro 23

quinta-feira, outubro 18

Albert Einstein, George Gamow, Paul Dirac, Ettore Majorana, Wolfgang Pauli, Paul Ehrenfest e Erwin Schrödinger: 7 físicos notáveis aos quais Étienne Klein presta homenagem neste livro. Todos eles deram importantes contribuições para a revolução ocorrida na física no início do sec. XX. Enquanto a relatividade restrita, e depois a geral, mudavam os conceitos de espaço e de tempo, a nível do muito pequeno descobria-se também um mundo contra-intuitivo, cheio de surpresas e mistérios: nascia a física quântica.
O livro está estruturado em 7 capítulos. Cada capítulo é uma biografia de um destes homens. Por entre pormenores mais ou menos curiosos das suas vidas estão os conceitos, os problemas, as teorias que ocuparam o seu intelecto.
Curiosa é a desconstrução de alguns mitos que envolvem Einstein. Não se trata de pôr em causa a sua genialidade, mas tão-só de contextualizar o homem percebendo que ele é fruto de uma época e de um contexto. Como o autor refere o problema da sincronização dos relógios preocupava toda a Europa da época. Por outro lado o facto de Einstein trabalhar num Departamento de Registo de Patentes na altura em que desenvolveu a relatividade restrita não torna o feito mais notável como por vezes se faz crer. De facto, “o Departamento do Registo de Patentes permitiu que Einstein estivesse na primeira fila para assistir ao grande desfile de tecnologias e para fertilizar as suas próprias reflexões teóricas”.
Foi um livro que me proporcionou prazer, portanto, está tudo dito.

quarta-feira, outubro 17

Lendo...

"Tradicionalmente se ha esgrimido el déficit del conocimiento científico sobre el comportamiento del clima para dudar, incluso, del fenómeno del calentamiento de la atmosfera y sus consecuencias sobre el funcionamiento del sistema climático. Sería una extensa tarea enumerar con precisión todas las lagunas del conocimiento del problema, sin embargo, nunca estas lagunas del problema son tan relevantes como para dudar del problema en sí mismo."
Há cada vez menos dúvidas sobre a existência do problema e até sobre as causas antropogénicas. De resto o livro explica, na medida do conhecimento actual, o complexo funcionamento do sistema climático. Desde a paleoclimatologia até aos padrões de circulação globais, está lá tudo. Apesar de existir já um razoável conhecimento acerca do problema das alterações climáticas muitos aspectos permanecem ainda em aberto.
Um bom livro para quem quer saber um pouco mais acerca de um tema nos nossos dias incontornável.

quinta-feira, outubro 4

Lendo...


Einstein+6: a Revolução de Étienne Klein.

quinta-feira, setembro 13

terça-feira, setembro 11

Sobre o Prós e Contras de ontem...

Alguns psicólogos argumentavam ontem, no Prós e Contras, que a expressão facial pode ser lida de um modo científico e, assim, usada na invstigação criminal. Sobre isto manifesto as maiores dúvidas. Ri, chora, não chora, tem os músculos da face tensos, faz um esgar... E daí? Isso dá algum indício? Pior ainda é quando a opinião publica discute a expressão facial como suficiente para incriminar os McCann. Haja bom senso.

sexta-feira, setembro 7

Em cada flor individual
procuro o universal,
em cada poema pessoal
há tanto de comum e geral.

e no entanto, somos um único
ser irrepetível e excepcional
e a Verdade tão intangível
quanto universal.

Jorge Jardim

quarta-feira, setembro 5

Peia


do Lat. pedica

s. f.,
prisão de corda ou ferro com que se seguram os pés das bestas;
designação de alguns cabos náuticos;

fig.,
(no pl. ) impedimento;
(no pl. ) estorvo;
embaraço;
(no pl. ) óbice;

Brasil,
chicote;
açoite.

terça-feira, setembro 4

Lendo...


El tiempo está loco? de Josep Enric Llebot.
Estará?
Alguns apontamentos em breve.

quinta-feira, agosto 30

Preciosidades no YouTube

Estou sem palavras...

Lendo...


Gonçalo M. Tavares


São ambos pequenos. Lêem-se num instantinho. O Senhor Brecht é bastante melhor do que O Senhor Walser.
O Sr. Walser vê-se envolvido numa sucessão de acontecimentos sem causa, que o sobrepujam a si e ao próprio leitor. Um livro bem ao estilo kafkiano, mas que está longe de ser brilhante. O Sr. Brecht narra estórias curtas, a maioria das vezes irreais, que entretêm o leitor. Subjacente a cada história está quase sempre um aforismo. Bastante melhor.
Fico agora com curiosidade de ler O Senhor Valéry, o mais famoso do bairro.

quarta-feira, agosto 29

Pensei que desta vez estava OK



Registei algumas melhorias no Word 2007. No entanto, ao nível da numeração de equações e sua referência esta versão mantém-se no patamar das anteriores: péssima.

quarta-feira, agosto 22

Bifenol A

Lendo com atenção este post acerca dos riscos do Bifenol A.

segunda-feira, agosto 20

Lendo...


O Senhor Brecht de Gonçalo M. Tavares

"O mal-educado não tirava o chapéu em nenhuma situação. Nem às senhoras quando passavam, nem em reuniões importantes, nem quando entrava na igreja.
Aos poucos a população começou a ganhar repulsa pela indelicadeza desse homem, e com os anos esta agressividade cresceu até chegar ao extremo: o homem foi condenado à guilhotina.
No dia em questão colocou a cabeça no cepo, sempre, e orgulhosamente, com o chapéu.
Todos aguardavam.
A lâmina da guilhotina caiu e a cabeça rolou.
O chapéu, mesmo assim, permaneceu na cabeça. Aproximaram-se, então, para finalmente arrancarem o chapéu àquele mal-educado. Mas não conseguiram.
Não era um chapéu, era a própria cabeça que tinha um formato estranho."

quarta-feira, agosto 8

Em Outubro será apresentado o volume XV da antologia de poesia e prosa poética portuguesa contemporânea POIESIS, editado pela Editorial Minerva. Esta edição reune 74 autores, entre os quais me incluo eu próprio com 2 poemas.

quarta-feira, agosto 1

Só o amor pode salvar da morte
da angústia, do estertor, da dor
só o amor pode dar um norte
da alma esconjurar o rancor
aqui fica o amor como mote
para dizer que a vida tem cor
e a morte, não sei se é má sorte.

Jorge Jardim

sábado, julho 28

Deambulo por caminhos tortuosos
vacilo como vencido
arrastado pra vertigem do vício
alvito-me no vácuo vazio.

Já quase em cinzas renasço
na frugal simplicidade
da enxada do lavrador.

Jorge Jardim

segunda-feira, julho 16

Ouvindo...


Estilhaços de Adolfo Luxúria Canibal, por sugestão do amigo Afonso.
Muito bom!

quinta-feira, julho 12

Das ervas secas vem o cricrilar dos grilos,
do charco o coaxar das rãs
recortando o silêncio de séculos
que repousa agora sob a cúpula
de mares e marinheiros bússola.
Na penumbra o dia vai-se apagando
nesta harmonia vou repousando.

Jorge Jardim

quinta-feira, julho 5

segunda-feira, julho 2



Foi um excelente espectáculo, aquele a que assisti na passada Sexta-feira no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães. Bajofondo Tangoclub é um grupo de músicos e artistas, liderado pelo premiado músico argentino Gustavo Santaolalla, que aposta numa fusão de diversos géneros musicais com os tradicionais sons do tango. Da comparação que se pode establecer com Gotan Project, Bajofondo sai a ganhar. Eu, apaixonado pelos sons do bandoneón e sempre aberto a novas experiências musicais, gostei.

sexta-feira, junho 29

Democracia

São casos como este e outros afins, leia-se caso professor Charrua, salvaguardando as devidas diferenças, que conduzem ao desgaste do governo. Desnecessário. É aqui, não no ímpeto reformista do governo, nem no TGV ou na OTA, que a oposição, sobretudo à direita do governo, encontra terreno fértil para se afirmar como tal. Tudo tão evitável e desproporcionado. Oiçam Manuel Alegre acerca da (in)tolerância. Já agora, Rui Rio incluído.

quarta-feira, junho 27







Arcos na Avenida da Liberdade, Barcelos.

terça-feira, junho 12

Lendo...



Em sucessivos avanços e recuos no tempo o narrador vai encaixando peças soltas até formar um puzzle coerente. Toda a narrativa converge para um ponto no espaço e no tempo, um clímax final, tornado inevitável desde a primeira página. Formalmente bem construído, escrita sóbria e fluida, de léxico pobre, o romance percorre temas como a morte e a loucura. Despindo as coisas de sentido provoca um ligeiro vazio kafkiano.

sábado, junho 9

Já está longe. Os foguetes propulsores já se soltaram. Boa viagem.

Boa noite
São mostradas imagens do interior da nave e explicados alguns procedimentos técnicos. Faltam menos de 5 mn.
Restam 20 mn. Vão saindo uns vapores da máquina. Até custa a crer que em poucos minutos o engenho vai subir, subir até se perder de vista.

sexta-feira, junho 8

Em directo



Acompanharei pela primeira vez em directo, o lançamento de um vaivém. Entretanto, prossegue a contagem decrescente: se tudo correr bem dentro de uma hora o space shuttle Atlantis partirá rumo à Estação Espacial Internacional. Está tudo aqui.

segunda-feira, junho 4

Lendo...



Jerusalém de Gonçalo M. Tavares. O prazer dos livros traz-me de volta ao blog.

quinta-feira, maio 17

Espero aqui voltar muito em breve. Envolto na agitação que por vezes o dia-a-dia traz falta o tempo para ler, escrever ou até simplesmente contemplar.
De acordo com o amigo Afonso, portanto.
Até já!

sexta-feira, maio 4

Ideologias políticas (Social democrata)

Por sugestão do Avesso do Avesso fiz este teste. Façam-no.
Eis os resultados.

#1
You are a social democrat. Like other socialists, you believe in a more economically equal society - but you have jettisoned any belief in the idea of the planned economy. You believe in a mixed economy, where the state provides certain key services and where the productivity of the market is harnessed for the good of society as a whole. Many social democrats are hard to distinguish from social liberals, and they share a tolerant social outlook.

#2
You adhere to the Third Way. The Third Way is a fairly nebulous concept, but it rests on the idea of combining economic efficiency - i.e. a market economy with some intervention - with social responsibility. The focus is emphatically on the community as a whole, and not necessarily equality per se. Adherents of the Third Way range from moderate to conservative in their social views, and have recently been willing to take a "tough" line on a range of social issues.

#3
You are a classical socialist, believing in equality of outcome as a principle. This might mean greater equality (e.g. Old Labour), or as close to absolute equality as possible. However, you will believe in an extensive public sector, covering not just public services (transport, healthcare etc.) but probably also the 'commanding heights' of industry (e.g. iron and steel). Your views on personal morality will be reasonably tolerant, in general, but there is considerable variation within this political group.

#4
You are a social liberal. Like all liberals, you believe in individual freedom as a central objective - but you believe that lack of economic opportunity, education, healthcare etc. can be just as damaging to liberty as can an oppressive state. As a result, social liberals are generally the most outspoken defenders of human rights and civil liberties, and combine this with support for a mixed economy, with an enabling state providing public services to ensure that people's social rights as well as their civil liberties are upheld.

#5
You are an ecologist or green. You believe that the single greatest challenge of our time is the threat to our natural environment, and you feel that radical action must be taken to protect it - whether in the enlightened self-interest of humanity (in the tradition of 'shallow ecologism') or, more radically, from the perspective of the ecosystem as a whole, without treating humans as the central species (deep ecologism).

#6
You are a Christian democrat - or, in the UK, a "One Nation conservative"; in other words, although you share the usual conservative belief in stability and duty, you believe that such duties include a responsibility on the part of the better-off to help those who are less fortunate. You will be socially conservative, but in favour of a mixed economy where the state does have a role in providing public services. Christian democracy arose after World War II, succeeding more doctrinaire Catholic parties dating from the 1870s.

#7
You are a communist. You believe, at least in theory, in absolute equality of income - and you oppose the whole capitalist system per se. You want to abolish the market economy and replace it with one in which the workers (usually meaning the state) control the building blocks of the economy. Your views on personal morality will vary; traditional communists tended to be more authoritarian, while modern "eurocommunists" tend to take a liberal line.

#8
You are a libertarian conservative. You hold that the free market is the best way of organising economic activity, but you combine this with adherence to more traditional social values of authority and duty.

#9
You are a market liberal. You adhere to the traditional liberal belief in freedom, and take this to mean negative rather than positive freedom - i.e. a slimmed-down state is the best guarantor of freedom. You will therefore support a laissez-faire economic policy, and you will be reasonably tolerant on the social front - though less emphatically so than social liberals.

#10
You are a fascist. You combine a strong belief in the nation with authoritarian social values, and a willingness to impose your views upon others. You strongly oppose immigration, and are willing to take radical action to combat it.

#11
You are an anarcho-capitalist. Anarcho-capitalists take the Jeffersonian belief that "that government is best which governs least", and extend it - "that government is best which governs not at all". The theory of anarcho-capitalism is that the market can replace the state as a regulator of individual behaviour (resulting in private courts, private policing etc.).
#12
You are an anarcho-communist, aiming for a society without the state, based on small, decentralised groups living communally.

quinta-feira, maio 3

Depois de uma pausa estou de volta ao blog.

Lendo


Os Versos Satánicos de Salman Rushdie em espanhol.

segunda-feira, abril 23

Não posso mais perecer
permanentemente,
lentamente,
ante palavras gastas e gestos feitos
é urgente reinventar o amor.

Não posso mais perecer
perante olhos velhos que entram pelas paisagens
é obrigatório renascer em cada momento
com um novo alento
novas ideias germinarão no alumbramento.

Jorge Jardim

terça-feira, abril 17

Ecos do Norte

Está a chegar a hora de voltar ao sul da Europa. Em termos meteorológicos não devo sentir grande diferença pois aqui os últimos dias têm sido de autêntico Verão. O termómetro atingiu os 30ºC e no outro dia o painel luminoso da farmácia à meia-noite marcava ainda uns agradáveis 24ºC. Não admira que as esplanadas estejam cheias e as filas para comprar gelados cresçam. E que as pessoas andem com pouca roupa, o que nalguns casos até é agradável. Quem diria, depois de meses cinzentos, escuros e húmidos!
Tanto calor em Abril faz qualquer pessoa concordar com os cientistas quando falam de aquecimento global.

sábado, abril 14

Affetuoso

Com essas palavras afectuosas
estremeceram-se-me as entranhas
moveram-se em mim montes e montanhas.
Nas sílabas suculentas que escorriam dos teus lábios
li o amor, sem de semiótica nada saber
nos olhos secos tenho agora um rio a correr.

Jorge Jardim

quinta-feira, abril 12

É na terra mais árida
da sua incerteza profunda
da sua dor inconsequente
que nascem os Deuses.
Ubíquo pó impenetrável.

Jorge Jardim

segunda-feira, abril 9

A equação de Navier-Stokes


A equação de Navier-Stokes é uma espécie de segunda lei de Newton para os fluidos (aqui os fluidos são considerados meios contínuos). Ela descreve o movimento de um fluído, líquido ou gás, dadas as condições iniciais.
Nos fluidos há uma força dissipativa que se opõe ao movimento. A medida de tal força, presente em todos os fluidos, em menor ou maior grau, é-nos dada pela viscosidade, υ, que aparece no segundo membro da equação. O termo fi entra em conta com forças externas, por exemplo, a gravidade.
Podemos, em princípio, saber como evoluem o campo de velocidades, u, e o campo de pressões, p, ao longo do fluído no decorrer do tempo. O problema é que não se conhecem soluções analíticas únicas e não divergentes, i. e., com significado físico; a equação tem de ser resolvida computacionalmente por métodos numéricos.
Provar a existência ou não existência de tais soluções é uma das grandes questões da matemática actual, de tal forma que este problema foi considerado pelo Clay Mathematics Institute um dos 7 problemas do milénio. Este instituto oferece um milhão de dólares a quem o solucionar. Mas, quem conseguirá?

quarta-feira, abril 4

Nómada

Quando aqui nasci
as pedras da calçada não eram minhas
não lhes conhecia os segredos
mas logo me confidenciaram que a partida chegaria
e nesse dia o chão que piso não mais meu seria.
Agora, no cais aguardo o embarque
na bagagem levo um punhado de histórias,
alguns contos e outras memórias.

Jorge Jardim

terça-feira, abril 3

Acerca do cartaz vergonhoso e lamentável do PNR o comentário certeiro.
"Com o PSD exangue e o CDS em cacos, a extrema-direita comporta-se como uma infecção oportunista num corpo debilitado. Sabe que tem de aproveitar a crise da direita."
Rui Tavares, PÚBLICO, 03-04-2007

Bélgica: perspectivas


segunda-feira, abril 2

Amor

Estas paredes surdas
sussurram-me ao ouvido
sei, sinto que estás ai
este quarto oco foi invadido
pelo teu amor
o ar espera ansiosamente pelo teu suspiro
é pelo teu amor que transponho a solidão crua
cada momento sem água aumenta a sede da fonte
sou sede de orvalho na manha fria
as notas desta melancolia
preenchem-me, na espera do teu regresso.

Jorge Jardim

quinta-feira, março 29

Pausa

Dois ou três dias para recuperar a inspiração.

quarta-feira, março 28

A velha

A velha fumava e tossia
como se a vida fosse um grande vício
queimava-a naquele cigarro
os seus dedos amarelecidos
esperavam ainda um último fogacho
acendeu outro da algibeira
e fumou e tossiu.

Jorge Jardim

terça-feira, março 27

Fractal

Do céu descem flocos de neve
pequenas peças fractais
como o são os fetos do monte
em cada parte o todo.
E se liberdade poética me derem
mais direi, também eu parte de fractal sou
em mim o mundo todo tenho.

Jorge Jardim

sexta-feira, março 23

Sem Abrigo

Pobre homem, que vives ao relento da rua
que vida errática foi a tua?
A lua e os gatos vadios são a tua companhia
nessa rua que finge ignorar-te
mas que é tua.
As pessoas passam apressadas
um pedaço de pão esperas que venha
por caridade ou boa vontade.
Pobre homem, essa manta suja é tudo o que tens.

Jorge Jardim

quarta-feira, março 21

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Aqui fica mais um poema.
Por que escreves tu, perguntas.
Para que o teu rosto não embruteça
na brutalidade dos dias
banais, que vou destilando
procurando sempre mais
um pingo de amor
soltando-se do teu gesto.

Amo estes dias sempre iguais
talvez por missão divina
sendo poeta pagão
faço do amor uma forma de religião.

Jorge Jardim

Fotos de uma visita a Paris V





terça-feira, março 20

Fragmentos de um diário

Dei-me à terra
a esta terra de quem sou
fui tronco firme e fruto verde
amei como um bicho
deixei as convenções para seguir as estações
e sem cosmogonias ou prisões
obedeci às leis naturais.

Jorge Jardim

domingo, março 18

Idade das trevas

No De Rerum Natura tem sido debatida a questão, nova entre nós, mas já com alguns episódios nos EUA, do evolucionismo vs criacionismo. Esta ideia de ensinar factos pseudo-científicos em aulas de ciências é completamente absurda e desadequada. É-o tanto como seria explicar a ressurreição de Cristo ou a subida de Nossa Senhora ao céu com uma teoria científica. No entanto, de tempos a tempos surgem conflitos entre ciência e alguns fundamentalistas da religião. Ciência e religião são intrinsecamente diferentes e partilham espaços distintos; a ciência ocupa-se do estudo dos fenómenos naturais, observáveis, procurando estabelecer relações entre eles; a religião é uma das várias âncoras em que podemos encontrar sentido para a existência humana. A religião vive da fé e é dogmática. A ciência, por seu turno, jamais pode explicar o facto de estarmos aqui e sermos capazes de reflectir acerca disso. Mesmo que se estabeleçam em detalhe os mecanismos de funcionamento do cérebro humano haverá sempre algo intangível e que não faz sentido. Ainda que a ciência nos diga que somos máquinas e reagimos a estímulos de forma previsível, maquinalmente, faltará sempre a justificação para a sua criação. E se depois de tudo se argumentar que essas máquinas evoluíram do macaco e o macaco do Big Bang, ainda assim faltará um porquê, uma razão, um motivo.
É estranho que está questão se tenha colocado de forma tão acesa nos EUA, um país que possui as melhores universidades do mundo e que deve, em grande parte, a sua hegemonia mundial a enormes avanços científicos. Para isso deve haver várias razões, mas aquilo de que não duvido é que substituir Darwin nas aulas de ciências por uma qualquer crença representa um retrocesso civilizacional, um regresso ao obscurantismo. O surgimento de movimentos extremistas e fundamentalistas, um pouco por todo o mundo, e um certo comodismo da razão fazem-me temer que estejamos a caminhar para uma época das trevas.

quinta-feira, março 15

A Idade da Informação

Quando a terra era dos arados
e dos bichos pelo trabalho fatigados
não havia bits e bytes
os rios eram reais como as rochas
não torrentes de informação fluindo
havia sítios de pó e sol
hoje há-os virtuais
de notícias e futebol.
As crianças brincavam ao peão
agora jogam jogos de pura ilusão.

Jorge Jardim
"A literatura como qualquer arte, é uma confissão de que a vida não basta"
Fernando Pessoa

quarta-feira, março 14

Fotos de uma visita a Paris IV

Na Place de la Concorde



Esta é uma praça muito bonita. Fica no fundo da Avenida dos Champs-Élysées. Se aquelas pedras falassem teriam muitas histórias para contar.

terça-feira, março 13

Foi a imagem casual
Que trouxe o passado
E acordou o coração
No presente petrificado.

O tempo mitifica o ido
Também este momento será desejado
Amanhã, quando o presente for passado.

Jorge Jardim

domingo, março 11

Fotos de uma visita a Paris III

Na Catedral de Notre-Dame




... num sábado de manhã. Lindo, grandioso.