sexta-feira, março 23

Sem Abrigo

Pobre homem, que vives ao relento da rua
que vida errática foi a tua?
A lua e os gatos vadios são a tua companhia
nessa rua que finge ignorar-te
mas que é tua.
As pessoas passam apressadas
um pedaço de pão esperas que venha
por caridade ou boa vontade.
Pobre homem, essa manta suja é tudo o que tens.

Jorge Jardim

quarta-feira, março 21

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Aqui fica mais um poema.
Por que escreves tu, perguntas.
Para que o teu rosto não embruteça
na brutalidade dos dias
banais, que vou destilando
procurando sempre mais
um pingo de amor
soltando-se do teu gesto.

Amo estes dias sempre iguais
talvez por missão divina
sendo poeta pagão
faço do amor uma forma de religião.

Jorge Jardim

Fotos de uma visita a Paris V





terça-feira, março 20

Fragmentos de um diário

Dei-me à terra
a esta terra de quem sou
fui tronco firme e fruto verde
amei como um bicho
deixei as convenções para seguir as estações
e sem cosmogonias ou prisões
obedeci às leis naturais.

Jorge Jardim

domingo, março 18

Idade das trevas

No De Rerum Natura tem sido debatida a questão, nova entre nós, mas já com alguns episódios nos EUA, do evolucionismo vs criacionismo. Esta ideia de ensinar factos pseudo-científicos em aulas de ciências é completamente absurda e desadequada. É-o tanto como seria explicar a ressurreição de Cristo ou a subida de Nossa Senhora ao céu com uma teoria científica. No entanto, de tempos a tempos surgem conflitos entre ciência e alguns fundamentalistas da religião. Ciência e religião são intrinsecamente diferentes e partilham espaços distintos; a ciência ocupa-se do estudo dos fenómenos naturais, observáveis, procurando estabelecer relações entre eles; a religião é uma das várias âncoras em que podemos encontrar sentido para a existência humana. A religião vive da fé e é dogmática. A ciência, por seu turno, jamais pode explicar o facto de estarmos aqui e sermos capazes de reflectir acerca disso. Mesmo que se estabeleçam em detalhe os mecanismos de funcionamento do cérebro humano haverá sempre algo intangível e que não faz sentido. Ainda que a ciência nos diga que somos máquinas e reagimos a estímulos de forma previsível, maquinalmente, faltará sempre a justificação para a sua criação. E se depois de tudo se argumentar que essas máquinas evoluíram do macaco e o macaco do Big Bang, ainda assim faltará um porquê, uma razão, um motivo.
É estranho que está questão se tenha colocado de forma tão acesa nos EUA, um país que possui as melhores universidades do mundo e que deve, em grande parte, a sua hegemonia mundial a enormes avanços científicos. Para isso deve haver várias razões, mas aquilo de que não duvido é que substituir Darwin nas aulas de ciências por uma qualquer crença representa um retrocesso civilizacional, um regresso ao obscurantismo. O surgimento de movimentos extremistas e fundamentalistas, um pouco por todo o mundo, e um certo comodismo da razão fazem-me temer que estejamos a caminhar para uma época das trevas.

quinta-feira, março 15

A Idade da Informação

Quando a terra era dos arados
e dos bichos pelo trabalho fatigados
não havia bits e bytes
os rios eram reais como as rochas
não torrentes de informação fluindo
havia sítios de pó e sol
hoje há-os virtuais
de notícias e futebol.
As crianças brincavam ao peão
agora jogam jogos de pura ilusão.

Jorge Jardim
"A literatura como qualquer arte, é uma confissão de que a vida não basta"
Fernando Pessoa

quarta-feira, março 14

Fotos de uma visita a Paris IV

Na Place de la Concorde



Esta é uma praça muito bonita. Fica no fundo da Avenida dos Champs-Élysées. Se aquelas pedras falassem teriam muitas histórias para contar.

terça-feira, março 13

Foi a imagem casual
Que trouxe o passado
E acordou o coração
No presente petrificado.

O tempo mitifica o ido
Também este momento será desejado
Amanhã, quando o presente for passado.

Jorge Jardim

domingo, março 11

Fotos de uma visita a Paris III

Na Catedral de Notre-Dame




... num sábado de manhã. Lindo, grandioso.

sábado, março 10

Pedaços de mim se desprendem
Vou ficando por ai
Em lugares distantes e memórias difusas
que o tempo apagará.
Não sou quem fui
De outros guardo retalhos.

Jorge Jardim

quinta-feira, março 8

Fotos de uma visita a Paris II


Ao pé do Arco do Triunfo numa das extremidades da Avenida dos Champs-Élysées.
Paris, que cidade!

quarta-feira, março 7

Memórias

Foi sem aviso e sem explicação que o Sena Santos deixou os microfones da Antena 1, já lá vão uns anos.
Ouvindo o velho rádio preto em que o meu pai todas as manhã seguia as notícias aprendi a gostar de rádio (não havia ainda Bom Dia Portugal! e similares). A voz do Sena Santos lá estava ao romper do dia, rápida e inigualável, sempre com pergunta pronta, enchendo a casa de notícias.
No meio desta nostalgia da rádio, no mundo cada vez mais de imagens, descobri hoje uns podcasts do Sena Santos. Ele continua por ai. Recuei então, profundamente no tempo como se o retorno fosse possível. (Ah!, a suprema ironia: as novas tecnologias ao serviço dos recuos temporais.)
Sim, sou um apaixonado pela rádio.

segunda-feira, março 5

Ainda a violência nas escolas

Francisco José Viegas escreve sobre o tema, n' A Origem das Espécies. O debate está ai. Só peca por tardio.

Violência nas escolas

Talvez estejemos no bom caminho. Notícia do Público aqui.

E a queda continua


Os mercados internacionais continuam a cair fortemente. Não sei se já pode ser considerado um crash. Será que a procissão ainda vai no adro?

sexta-feira, março 2

Os corvos

Oiço o piar dos corvos
Vozes dizem que é mau agoiro
Mas eles cantam com inocência
A felicidade da ignorada existência.
Cantam porque têm o céu e a terra
E da vida e da morte nada sabem.

Jorge Jardim

quarta-feira, fevereiro 28

Indignação

Notícias como esta são demasiado frequentes. Estas situações de agressões de pais a professores são inadmissíveis. Pais que agem desta maneira deveriam ser exemplarmente punidos. Agora que os professores estão mais sujeitos à avaliação externa, as autoridades competentes têm uma maior legitimidade e obrigação de serem intransigentes com estes actos de violência. Espero que sindicatos e ministério não finjam que nada se passou.

terça-feira, fevereiro 27

Quando nos enfadamos do sol,
Da chuva e do vento dos dias,
Quando perdemos as idiossincrasias
E o amor se esgota em melancolias
…murchamos,
como flores sequiosas.

Jorge Jardim

domingo, fevereiro 25

Grito Aflito

Querem matar o sonho
Subtrair as semânticas
Amordaçar o coração
Com os nós da ganância.

Dizem que aquilo é uma árvore
Só uma árvore
Mas é todo o sentido da minha existência.

Jorge Jardim

sexta-feira, fevereiro 23

Lendo

Números Hiper-reais II - Divagações
Na realidade, o avanço das outras ciências, sobretudo da física, está muito dependente da criação de novas ferramentas matemáticas. A história está cheia de exemplos de que assim é (Einstein não teria criado a relatividade geral se não houvesse uma geometria não-euclidiana). Penso que muitos dos problemas da física teórica actual só poderão ser resolvidos com recurso a conceitos matemáticos mais poderosos.
Pode ser que daqui a uns tempos os números hiper-reais sejam um ingrediente de um qualquer modelo explicativo do real.

Lendo

Números Hiper-reais I
Aprendi, numa pequena adenda no final do livro, que para além dos bem conhecidos números reais, cujo conjunto se representa por R, foram já propostos os números hiper-reais, cujo conjunto se passou a representar por *R . O aparecimento deste novo conjunto, nos anos 60 do século passado, pelo matemático Abraham Robinson, conduziu a uma nova área da matemática sugestivamente conhecida por Análise Não-standart. Mas este não é um assunto encerrado; o tema continua a ser debatido pelas revistas da especialidade. A matemática não é uma ciência acabada. Não há ciências acabadas.

segunda-feira, fevereiro 19

Obrigado!

Agradeço aos amigos que me têm apoiado na escrita e incentivado a tentar a publicação. Escrever é muitas vezes uma necessidade e um prazer, mas por vezes também envolve sofrimento. É como o amor!

domingo, fevereiro 18

Viagem Interior

Às vezes querem arrancar-me à solidão
Às vezes digo que sim, outras que não.
Venço esta inércia de mim
Quando o mundo me confronta
Ou a alma não se encontra.

Jorge Jardim

quinta-feira, fevereiro 15

É esta rotina estéril
Que esmaga o amor
Que cala teus olhos
Que emudece o desejo.

Pudesse os frutos dos teus olhos colher
Para só disso comer.
Fosse sempre o passeio prazenteiro
Da tarde do domingo soalheiro.

Jorge Jardim

quarta-feira, fevereiro 14

Notas sobre Ciência


Quando fazemos passar um feixe laser por uma fina amostra de material fundido a luz “espalha-se”. A câmara regista um padrão branco e preto que pode depois ser colorido mediante a intensidade de luz em cada região da figura. O resultado final é este. Esta técnica permite obter informação acerca da microestrutura e comportamento do material.

segunda-feira, fevereiro 12

Foi por tanto termos brincado
À sombra da ameixoeira
Que os frutos amadureceram.

Logo as folhas cairão
Amarelecidas
E novas árvores nascerão
Para outros meninos brincarem.

Jorge Jardim

sábado, fevereiro 10

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Amesterdão III


Amesterdão é uma cidade que parece ter uma vida intensa. As ruas estão repletas de pessoas e são constantemente cruzadas por eléctricos e carros e bicicletas. E tem água, muita água fluindo por um complexo sistema de canais.

Mas também há espaços verdes. Por exemplo ao pé do museu Van Gogh.
Aqui a praça Rembrandt.

quinta-feira, fevereiro 8

Ecos do Norte


Ficaram brancos os jardins, as ruas, os carros, os telhados, os campos. Finalmente a neve chegou cá.

quarta-feira, fevereiro 7

O Despertar do Desejo

Os seios emergiam como colinas de fogo
Rompendo a ignara ignorância.
Eram faróis do desejo premente
Que arrebata o corpo de um adolescente.

Jorge Jardim

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Amesterdão II
Na Casa de Anne Frank

Esta visita avivou-me a memória para o que foram os horrores da 2ª Guerra Mundial. Gostei imenso de, ao percorrer a casa, ir desvendando a história de Anne Frank. É como se ela ainda lá estivesse, silenciosamente escondida no Anexo Secreto, temendo ser ouvida pelos Nazis.

segunda-feira, fevereiro 5

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Amesterdão I






Em breve, Fotos de uma visita a Amesterdão.

sexta-feira, fevereiro 2

Ficção científica?

Segundo a Newsweek está lançada uma nova corrida à Lua. Mas agora vislumbram-se outras intenções além das clássicas. A Rússia e a China estudam a possibilidade de extrair e transportar para Terra o isótopo Hélio-3 muito abundante na Lua (o isótopo do Hélio mais abundante no nosso planeta é o Hélio-4 que representa 99.999863% de todo o Hélio). Supõe-se que este gás poderia ser a solução para tornar a fusão nuclear viável, resolvendo assim o difícil problema energético mundial.

Referências poéticas

Julgo serem 3 as minhas principais referências poéticas: Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de Andrade. Para além do valor das palavras, a poesia é ritmo. Talvez por isso me inspirem tanto Carlos do Carmo (por exemplo cantando Ary dos Santos), Mariza ou Tom Jobim.
Somos aquilo que vivemos, o que lemos e ouvimos.

quinta-feira, fevereiro 1

É Janeiro.
Tenho a calma dos dias que passam
Pedindo apenas o beijo
Do teu cálido desejo.

Tenho a tranquilidade das horas
Que por Deus não chamam
E por graças e preces não clamam.

Jorge Jardim

quarta-feira, janeiro 31

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Liège






Quando cheguei a Liège para uma breve visita, vindo da Flandres, tive a sensação de estar a chegar a um novo país. Esta Valônia é diferente! Claro que a língua contribuiu muito para isso. O francês soa sempre mais familiar que o neerlandês. É que a língua é um factor de identidade dos povos.

segunda-feira, janeiro 29

Sombras de Paixão

Lembras-te, meu amor
Do tempo em que o mundo era os nossos corpos,
Do tempo em que os transeuntes não passavam na rua
E nós éramos o Sol e a Lua?

Lembras-te de como em corpos cansados pelo prazer
Fazíamos juras eternas de amor infinito
E eu te dizia que em tudo acredito?

Nessa altura eu nem sabia que te amava
Porque eu nada sabia
Era só o que de ti bebia.

Jorge Jardim

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Antuérpia II











sábado, janeiro 27

Guia dos comentadores/opinion makers do panorama nacional

Há no panorama comunicacional português uma série de fazedores de opinião que muito contribuem para a visão que os cidadãos têm da política e da sociedade nacionais. Eles comentam tudo, desde o pequeno gesto do político até às sondagens para o referendo sobre o aborto. E analisam discursos tentando ler o que está escondido nas entrelinhas.
Os seus comentários vêm sempre impregnados com a marca pessoal do autor, da sua maneira própria de ler a realidade. Não necessariamente por falta de independência em relação a certos poderes, mas tão só por condição própria do pensamento humano.
Por que comentam e só raramente são comentados, por que criticam e só raramente são criticados, o que proponho aqui é a crítica dos críticos.

Marcelo Rebelo de Sousa – O comentador mais ouvido e que provavelmente mais influencia a opinião das pessoas. As pilhas de livros que amiúde exibe reforçam a imagem do professor inteligente que pode falar e comentar tudo com a autoridade de quem sabe dos assuntos. Depois há as referências breves a coisas mais mundanas, como telenovelas e futebol, que contribuem para criar empatia junto de todo o tipo de públicos. É perspicaz e venenoso.

José Pacheco Pereira – O blogger político mais lido e citado. A sua opinião é lida por uma franja mais restrita da população. Primeiro, por que há uma parte significativa da população que não usa a Internet, depois, por que Pacheco Pereira rema muitas vezes contra a corrente mediática. Os media são um dos seus temas favoritos. Expõe muitos argumentos para fundamentar cada uma das suas opiniões. É um pró-americano convicto.

Carlos Magno – Principalmente na Antena 1, mas esporadicamente também na televisão. Ao contrário dos anteriores nunca surgiu ligado a nenhum partido político.

António Vitorino – Em Notas Soltas é um pouco mais do que um porta-voz do governo. Evita todas as polémicas.

Vasco Pulido Valente – Crítico feroz de tudo e todos. Escreve no Público. Só raras vezes leio os seus textos.

Claros que há muitos mais. Mas estes são talvez os mais influentes. E os que mais ouço, ora concordando, ora meditando, ora discordando.

quinta-feira, janeiro 25

Ecos do Norte

Quando cheguei aqui à Bélgica morei alguns dias numa rua chamada Andreas Vesalius. A mim este nome nada me dizia, até que hoje, mais ou menos acidentalmente, descobri que Andreas Vesalius foi um médico belga, considerado o "pai da anatomia moderna". Mas, mais fantástico foi ter descoberto este tesouro.

Infinito

Busco o infinito
Com infinitas ânsias,
Infinitas forças.

No que está pra além do além
Procuro Deus,
Rumo do zero ao infinito
E sempre fico
Por números vagos
Inferiores a Deus.

Jorge Jardim

quarta-feira, janeiro 24

Lendo...


Conceitos Fundamentais da Matemática de Bento de Jesus Caraça.

segunda-feira, janeiro 22

A Catedral

Hoje vi santos e pedestais
E rostos de crentes fiéis
A Deus lamentando seus ais.

Ouvi badaladas de sinos sonoros,
Que em altas torres tocam os céus
A Deus elevando a prece do canto de coros.

Jorge Jardim

domingo, janeiro 21

Ecos do Norte

Fotos de uma visita a Antuérpia I
Catedral de Nossa Senhora




Esta é a maior igreja Gótica dos antigos Países Baixos. A sua construção, que se prolongou por 170 anos, ficou concluida em 1521.

quinta-feira, janeiro 18

Alva apetecida

Pudesse eu ser a aurora fresca
Cedo pressagiada
Pelo irrequieto chilrear dos pardais.
Seguir os primeiros raios
Irrompendo na madrugada fria
Festejando já o frenético dia.

Jorge Jardim

quarta-feira, janeiro 17

Ecos do Norte

Fotos de uma breve visita a Bruges II