sexta-feira, julho 28

O Estado da Educação III

Concordo com a avaliação generalizada e democrática. Mas pouco mais se sabe sobre os parâmetros de avaliação, facto que só tem contribuído para aumentar a temperatura a um sector quase em ebulição... Todos os sindicatos dos professores unem-se, o que não acontecia, penso eu, nos últimos 25 anos. Aqui, a união não só não faz a força como reforça a percepção de que muitos encaram todo o processo como uma afronta, uma ameaça a um sistema demasiado protector e desigual na uniformização de carreiras. Acho que vamos conversar sobre isto durante muitos mais meses... Felizmente, digo eu!

(Leitor devidamente identificado)

Sobre "A Espiral Dourada"













Não é fantástico que a soma das diagonais do Triângulo de Pascal originem a sucessão de Fibonacci (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21,...)?!! Muito curiosas as propriedades desta sucessão. De facto, ela está muito presente na Natureza; muito mais do que aquilo que seria expectável.

quinta-feira, julho 27

Lendo...













A Espiral Dourada

(e preparando os habituais comentários)

domingo, julho 23

O Estado da Educação II

Antes de emitir qualquer opinião sobre este assunto, e porque as opiniões são também fruto das vivências e das situações, convém dizer que sou professor profissionalizado, com uma curta experiência no ensino, e que neste momento não estou, por opção, a exercer a actividade. Sou agora, em relação às últimas polémicas na educação, mas espectador do que actor.

Aquilo que conheço da educação em Portugal é suficiente para perceber que nem tudo está bem, tal como já não estava antes da actual ministra tomar posse. Já várias vezes ouvi que, apesar da percentagem do PIB que Portugal gasta em educação ser superior à de muitos países europeus, os resultados são maus. Também compreendo que a educação de um povo é uma “pescadinha de rabo na boca” no sentido em que pais com deficiente formação e educação criarão, com alta probabilidade, filhos com problemas comportamentais e de aprendizagem que, por sua vez, mais tarde serão pais... Ora, daqui ressaltam duas ideias: 1º este ciclo só poderá ser revertido com um sistema educativo eficiente. 2º os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos.

É por isso que defendo a avaliação dos pais pela sociedade e, obviamente, na linha da frente dessa avaliação deverão estar os professores. Claro que os professores deverão também ser avaliados pelos pais, mas, somente pelos pais que cumpram os requisitos de participação na vida escolar dos filhos, indo à escola quando tal for solicitado. Não consigo conceber a ideia de um pai que vai à escola apenas uma vez no ano e, ainda assim, avalia o professor. Como não conheço os detalhes da nova lei sobre este assunto não posso dizer se ela é inteiramente satisfatória ou não. Mas, em termos genéricos, advogo o princípio de que todos devem ser avaliados por todos. Para além do mais, acho que a avaliação dos professores pelos pais só vai contribuir para o reforço do prestigio social dos professores, que tem andado um pouco por baixo.

Este debate sobre a avaliação dos professores é, apesar de toda a crispação, essencial, porque até agora essa avaliação, depois do ingresso na carreira, na prática não existia, o mesmo é dizer, todos os professores ascendiam ao topo da carreira se leccionassem o número necessário de anos e frequentassem as acções de formação (algumas de qualidade muito duvidosa, diga-se). Portanto, a primeira questão que deveria ser colocada é: Os professores devem ser avaliados no exercício das suas funções? Se sim, por quem? Aqui surge a segunda grande questão sobre a qual queria reflectir: o estabelecimento da quota máxima para a ascensão ao topo da carreira. No fundo o reconhecimento que uns terão mais mérito que os outros, que não são todos iguais e que o subir na carreira implica trabalho e esforço. Isto é claramente positivo, benéfico para a sociedade como um todo, pois a carreira de cada professor será assente no mérito e no seu reconhecimento.
PS. Em relação aos exames nacionais de Física e Química, houve bastante trapalhada. Talvez ainda aborde esse assunto em posts posteriores.

quinta-feira, julho 20

Ouvindo...



















..Seu Jorge. Música em estado puro... Despida, sem arranjos. Música bela...

sexta-feira, julho 14

Nota

O post anterior não expressa a minha opinião (dá-la-ei quando tiver um pouco mais de disponibilidade). Aqui colocarei todas as opiniões devidamente fundamentadas, ainda que difiram da minha, pois todos os pontos de vista são importantes para o debate de ideias.

quinta-feira, julho 13

O Estado da Educação

Desabafos de uma professora

Isto está mau para os professores! Agora querem pôr os pais a avaliar os professores! E porque não? Parece-me é que, por uma questão de prioridades, se devia era começar por avaliar os pais. E ninguém melhor que os professores para o fazer. Primeiro porque estão em contacto directo com o produto final do trabalho dos pais como educadores. Depois porque têm formação a nível de avaliação: sabem definir critérios de avaliação e construir os instrumentos de avaliação adequados que permitirão fazer uma avaliação rigorosa e objectiva das competências dos pais como educadores. Proponho que a uma classificação negativa obtida pelos pais corresponda uma multa pecuniária, a duas consecutivas a inscrição compulsiva num “Curso de Formação de Pais” com duração de 15 dias em regime de internamento, e a mais de duas classificações negativas os filhos seriam retirados aos pais pela Segurança Social.

Devo dizer que não sou contra a avaliação dos professores. Os professores dão aulas, produzem documentos, corrigem provas, programam actividades extra-curriculares, organizam visitas de estudo, dinamizam clubes, e todas estas actividades podem ser objectivamente avaliadas. Mas pelos pais? Na minha opinião confiar a avaliação dos professores aos pais é como confiar na divina providência! O que poderão os pais avaliar? O relacionamento professor-aluno? Com base em quê? Nos relatos dos filhos? Será que um professor exigente, pouco simpático, cáustico ou corrosivo, é um professor incompetente? Talvez não seja apreciado pelos pais mesmo que seja cientificamente competente, use técnicas e estratégias de ensino diversificadas, elabore bons materiais de trabalho, cumpra os programas e mantenha com os alunos um relacionamento institucional correcto. Não me parece justo fazer depender a avaliação de um professor de apreciações emocionais como são muitas vezes as dos pais.

Não quero com isto dizer que os pais não sabem avaliar os professores. Os pais sabem muito bem se os professores dos seus filhos são bons ou maus. Se os seus filhos vêm da escola a saber mais coisas, com vontade de aprender, com hábitos de trabalho, com mais autonomia para realizar as tarefas que os professores propõem. Os pais vêm o resultado do trabalho dos professores. Mais do que “ver”, “sentem”! Essas apreciações dos pais devem chegar e já chegam à escola e aos professores. Mas passar esse tipo de avaliação para a participação na atribuição de uma classificação do desempenho de um professor com consequências na sua progressão na carreira parece-me, francamente, um abuso e um atentado à dignidade do professor que pode ter consequências muito nefastas no relacionamento institucional entre professores, pais e alunos.

Outro aspecto da avaliação dos professores é tentativa de a fazer depender ou relacioná--la com os resultados dos seus alunos. É outra coisa com que não posso concordar! Embora não gostando de comparar o que não é comparável perdoem-me este exemplo: se os médicos fossem avaliados pelos doentes que curam como ficava um médico de oncologia? Na minha opinião um bom aluno tanto brilha com um bom professor como com um mau professor e um mau aluno é uma dor de cabeça para qualquer professor. E todos os professores sentem na pele que se um aluno tem bons resultados é muito dotado, esperto, inteligente… se tem maus resultados é o professor que é uma nódoa!

A avaliação, quer seja de um aprendiz, de um profissional, de um curso ou de outra coisa qualquer é um processo complexo, com elevado grau de subjectividade e que exige a aplicação de técnicas que se tenta que sejam o mais rigorosas e objectivas possível. Os professores sabem disso porque sempre lidaram com avaliação e receberam formação nesse sentido. A avaliação é tanto mais delicada quanto maiores forem as suas implicações na vida das pessoas. Todas as pessoas sabem que têm que se submeter a avaliação ao longo da vida. Não acredito que os professores estejam contra a avalição. Só acho que devemos exigir, como os alunos e os pais exigem, rigor, objectividade e justiça na avaliação.

Longe vão os tempos em que o professor (como o médico e o senhor padre) era reconhecido pela sociedade e respeitado como pessoa sabedora e que contribuía para a melhoria da qualidade de vida encarregando-se da formação dos mais novos. Quando escolhi o meu curso era muito nova. Escolhi-o porque gosto da Ciência. Actualmente, como professora de ciências, gosto de dar aulas, gosto de prepara aulas, gosto de pesquisar novas formas de ensinar, gosto de trabalhar no “meu” laboratório da “minha” escola. Não gosto de corrigir testes, acho que ninguém gosta! Mas, se fosse hoje, garanto que não tinha escolhido um curso de formação de professores! Estou até tentada a acreditar no meu tio que dizia, há muito tempo, que só vai para professor quem não sabe fazer mais nada!
(Leitora devidamente identificada)

quinta-feira, julho 6

Coreia do Norte

Numa altura em que a Coreia do Norte volta ao topo da actualidade pelas piores razões, aqui fica o site oficial do governo Norte-Coreano. "The Leaders are the sun of the nation and mankind". Até podem ser o Sol da nação, mas não são certamente o Sol da humanidade.

quarta-feira, julho 5

Piazzolla Forever (ou "a música é um romance sem fim")

Sairam os violinos, o piano e o contrabaixo. Ficou só Galliano. Ele e o acordeão. Galliano levando o acordeão até aos limites. (Como é possível sair tanta música daquele caixa?!). Quatro, cinco minutos até à exastão. E um público em êxtase aplaudindo.

segunda-feira, julho 3

A caminho


Richard Galliano

...para ver o concerto de Galliano e companhia. Relembrando, reinventando a obra do mestre Piazolla.

quinta-feira, junho 29

O Grandioso, O Belo


Zurique, ontem à noite

Encontrei está foto no Público online de hoje. O mínimo que se pode dizer é que é bela.

quarta-feira, junho 28

Energias...

Como resultado da Conferência As energias do Presente e do Futuro realizada no passado mês de Novembro a SPF lançou um número especial da Gazeta da Física. É esse número especial que estou, com todo o interesse, a ler neste momento. Está lá tudo para que possamos entender este assunto absolutamente decisivo para o nosso futuro. Desde os problemas climáticos causados pela queima de combustíveis fósseis até à, mais ou menos longíqua mas inevitável, escassez de petróleo. Colocado este cenário é dada ênfase às energias renováveis e à eficiência energética. Numa palavra trata-se de pensar o futuro procurando agir no presente. É este o nosso Mundo!

quinta-feira, junho 22

Cérebro… a última fronteira

Há já alguns anos tive o prazer de ler O Sentimento de Si, do conceituado cientista português António Damásio. Livro brilhante, nem sempre de fácil leitura, para um leigo na matéria como eu. A equipa de António Damásio procura desvendar os mistérios do cérebro humano quer estudando pacientes que por um ou outro motivo têm lesões em áreas específicas do cérebro, quer estudando a actividade cerebral de pessoas saudáveis usando técnicas de imagiologia médica. Mais recentemente li O Grande, o Pequeno e a Mente Humana, de Roger Penrose, e um artigo intitulado Um Olhar Matemático Sobre o Cérebro publicado na revista Gazeta da Matemática da SPM.
São 3 visões diferentes de um mesmo tema: o cérebro humano. Como funciona? Como é que uma rede de milhares e milhares de neurónios conduz à percepção de um cheiro, uma dor, um paladar, à formação de uma ideia. Uma investigação muito actual que certamente terá muitos desenvolvimentos neste século.

terça-feira, junho 20

O momento


Golo

Alguns milésimos de segundo depois de a bola entrar na baliza os Portugueses gritavam golo pela segunda vez em Franckfurt.

segunda-feira, junho 19

Regressando do mundial...

em breve retomarei os posts.

terça-feira, junho 13

Campos...

Há os campos, relvados, de futebol. Há os de milho, de trigo e de centeio. Mas, há também os campos vectoriais. Em cada ponto do campo, foi "semeada" uma seta, um vector. Há as maiores e as mais pequenas, as que apontam mais para a esquerda ou mais para a direita, mais para cima ou mais para baixo. E elas podem aumentar ou diminuir, apontar mais para aqui ou mais para ali à medida que o tempo passa. Elas podem ser velocidades ou tensões. E tudo isto pode ser dito numa linguagem muito mais técnica.
Isto ajuda-nos muito a compreender e descrever a Natureza!

segunda-feira, junho 12

Ryuichi Sakamoto e Alva Noto...




... ontem na Casa da Música, no Porto, para apresentação do seu último trabalho Insen. Estranha música esta, experimental, nova, minimalista, diferente de tudo. Há uma tensão permanete entre piano e música electrónica.

segunda-feira, junho 5

Ouvindo...


Rachmaninov

Considerado o último compositor romântico russo.

sábado, junho 3

A poesia, se não for o lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos, é a mais fútil das ocupações.
Eugénio de Andrade

sexta-feira, junho 2

As mãos e os frutos

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade