Pego na guitarra.
Toco algumas notas,
acordes frágeis
ante a desmesura do desamparo.
As cordas vibram o ar
deitando por terra o iconoclasta,
num espaço onírico de sobressalto.
Como é débil o sonho!
Como é tíbio o sono!
E como são vãs todas as coisas
que estão para além do teu corpo
tíbio,
frágil,
mortal,
onde repouso o meu sonho.
Todos os medos são inúteis
ante a indiferença da morte.
Jorge Jardim
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quinta-feira, março 29
sexta-feira, outubro 2
Quero crer/querer
Não tenho a fé do ateu,
nem a convicção divina
Antes convivo com a dúvida
e namoro com a morte.
Não creio, mas amo,
e nada espero.
E amo o amor.
E amo o amor pelo amor.
E assim sem fim,
foge o infinito.
Jorge Jardim
segunda-feira, abril 27
quinta-feira, abril 16
Princípio activo
Omeprazol, domperidona,
clopramida, prednisolona,
ebastina, clonixina,
cetirizina, famotidina,
cloridrato de tramadol.
No fim, a morte
dos que amamos.
Ai, mas o que seria sem ciência?
Jorge Jardim
clopramida, prednisolona,
ebastina, clonixina,
cetirizina, famotidina,
cloridrato de tramadol.
No fim, a morte
dos que amamos.
Ai, mas o que seria sem ciência?
Jorge Jardim
domingo, abril 5
sexta-feira, março 27
Pó – Poema Panteísta
Tu que não vacilas ante o calor tórrido
Giesta, eu te digo
O fogo se alimentará de ti
como dos Homens se alimenta a terra
e do ódio e da ganância a guerra.
À terra ele te devolverá
como a morte aos deuses o Homem.
Assim a Quarta-feira se cumprirá
És pó e pó serás.
Jorge Jardim
Giesta, eu te digo
O fogo se alimentará de ti
como dos Homens se alimenta a terra
e do ódio e da ganância a guerra.
À terra ele te devolverá
como a morte aos deuses o Homem.
Assim a Quarta-feira se cumprirá
És pó e pó serás.
Jorge Jardim
terça-feira, julho 8
Luto do desejo de ti
As palavras estão mortas,
mortas.
O brilho do teu corpo nu
que tantas vezes desenhei nos meus olhos
diluiu-se nesta última lágrima.
Estou só,
só, sem sonhos,
as palavras morreram no teu silêncio.
Sabes, hei-de reconstruir o sonho,
pedra a pedra
erguer o castelo do desejo
lindo e louco.
Mas agora, …
agora as palavras estão mortas,…
mortas.
Jorge Jardim
mortas.
O brilho do teu corpo nu
que tantas vezes desenhei nos meus olhos
diluiu-se nesta última lágrima.
Estou só,
só, sem sonhos,
as palavras morreram no teu silêncio.
Sabes, hei-de reconstruir o sonho,
pedra a pedra
erguer o castelo do desejo
lindo e louco.
Mas agora, …
agora as palavras estão mortas,…
mortas.
Jorge Jardim
sábado, junho 7
X
Estou exausto. Exaspero.
Arrasto as pernas pelo chão pesado
como se esteios fossem.
Estou exausto. Desespero.
Na cabeça só som sem sentido, ruído
e em todo o corpo sinto pruído.
Faltam-me as forças
Estou exausto. Extenuado.
Esvaí-me de razão
e já nem as tripas são coração.
Fui exaurido de mim.
Estou exausto.
Jorge Jardim
Arrasto as pernas pelo chão pesado
como se esteios fossem.
Estou exausto. Desespero.
Na cabeça só som sem sentido, ruído
e em todo o corpo sinto pruído.
Faltam-me as forças
Estou exausto. Extenuado.
Esvaí-me de razão
e já nem as tripas são coração.
Fui exaurido de mim.
Estou exausto.
Jorge Jardim
sexta-feira, maio 30
Princípio da Realidade/Poema da Negação
Não, não és uma deusa
nem a minha salvação
talvez nem sequer musa
que justifique suprema adoração.
Assim com a realidade
nego a verdade
da paixão que por ti me consome.
Jorge Jardim
nem a minha salvação
talvez nem sequer musa
que justifique suprema adoração.
Assim com a realidade
nego a verdade
da paixão que por ti me consome.
Jorge Jardim
domingo, maio 18
Esperança Louca
Nada mais tenho a acrescentar.
À loucura da esperança
à espera, ânsia do que não vem
do telemóvel que não toca
da mensagem que não leio.
O relógio pulsa fugaz o futuro
na libido do corpo ausente
desejo iminente
traído pelo tempo.
Jorge Jardim
À loucura da esperança
à espera, ânsia do que não vem
do telemóvel que não toca
da mensagem que não leio.
O relógio pulsa fugaz o futuro
na libido do corpo ausente
desejo iminente
traído pelo tempo.
Jorge Jardim
segunda-feira, março 31
História do Abismo
Estou vazio, tenho frio
O vento irado levou o corpo alado
Nas monções foram as significações
Das coisas banais, porem providenciais.
Estou vazio, tenho frio
E é tudo tão seco e árido
Tão despido de sentido
Que até as palavras luminosas parecem desvirtuosas.
Jorge Jardim
O vento irado levou o corpo alado
Nas monções foram as significações
Das coisas banais, porem providenciais.
Estou vazio, tenho frio
E é tudo tão seco e árido
Tão despido de sentido
Que até as palavras luminosas parecem desvirtuosas.
Jorge Jardim
quinta-feira, março 27
Outros vêm chuva.
Eu beijo-a com a sede
do lavrador da terra seca.
Vejo-a através das gotas da vidraça
crescendo verde como erva.
Outros vêm apenas chuva.
Beijo-a quando se precipita
em campos, árvores e flores
antecipando a estação dos amores.
Vejo-a no conforto do tecto
0nde outros vêm apenas chuva.
Jorge Jardim
Eu beijo-a com a sede
do lavrador da terra seca.
Vejo-a através das gotas da vidraça
crescendo verde como erva.
Outros vêm apenas chuva.
Beijo-a quando se precipita
em campos, árvores e flores
antecipando a estação dos amores.
Vejo-a no conforto do tecto
0nde outros vêm apenas chuva.
Jorge Jardim
sexta-feira, setembro 7
quarta-feira, agosto 1
sábado, julho 28
quinta-feira, julho 12
segunda-feira, abril 23
sábado, abril 14
Affetuoso
Com essas palavras afectuosas
estremeceram-se-me as entranhas
moveram-se em mim montes e montanhas.
Nas sílabas suculentas que escorriam dos teus lábios
li o amor, sem de semiótica nada saber
nos olhos secos tenho agora um rio a correr.
Jorge Jardim
estremeceram-se-me as entranhas
moveram-se em mim montes e montanhas.
Nas sílabas suculentas que escorriam dos teus lábios
li o amor, sem de semiótica nada saber
nos olhos secos tenho agora um rio a correr.
Jorge Jardim
quinta-feira, abril 12
quarta-feira, abril 4
Nómada
Quando aqui nasci
as pedras da calçada não eram minhas
não lhes conhecia os segredos
mas logo me confidenciaram que a partida chegaria
e nesse dia o chão que piso não mais meu seria.
Agora, no cais aguardo o embarque
na bagagem levo um punhado de histórias,
alguns contos e outras memórias.
Jorge Jardim
as pedras da calçada não eram minhas
não lhes conhecia os segredos
mas logo me confidenciaram que a partida chegaria
e nesse dia o chão que piso não mais meu seria.
Agora, no cais aguardo o embarque
na bagagem levo um punhado de histórias,
alguns contos e outras memórias.
Jorge Jardim
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